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Conhecendo Morrigan

Das lendas irlandesas ao culto pagão – a Deusa Morrigan e suas associações – Conhecendo Morrigan

Deidade do panteão Celta, associada as forças da natureza. Deusa da batalha, da morte e da fertilidade, corresponde ao poder sagrado da terra, onde o ciclo de nascer e morrer, faz parte da renovação.

Conhecendo Morrigan

Seu nome é escrito de diversas formas, Morrighan, Mórrígan, Morrigu, Morrigna ou MOR-Ríoghain.

Ela as vezes aparece na forma de um corvo, voando acima dos guerreiros. No ciclo do Ulster ela também toma a forma de uma enguia, um lobo e uma vaca.

Geralmente é considerada uma deidade de guerra comparável com as Valquírias Germânicas, embora sua associação com gado também sugira um papel relacionado à fertilidade, à riqueza e à terra.

Muitas vezes é retratada como uma deusa tripla, embora a pertença à tríade, isso varia muito. A combinação mais comum é o Badb, Macha e Morrigan.

Conhecendo Morrigan

Etimologia

Existem de fato algumas contradições sobre a origem do nome de Morrigan, que pode ser proveniente do indo-europeu, do antigo inglês e da escandinava.

No período médio irlandês, o nome era frequentemente escrito ‘Mórrígan’ com um diacrítico alongamento sobre o ‘o’, aparentemente pretendiam dar o significado de ‘Grande Rainha’. Já na reconstrução em proto-celta, a tradução livre de ‘Moro-rīganī-s’, significa ‘Rainha Fantasma’.

Ciclo mitológico

Conhecendo Morrigan

Morrigan também aparece nos textos mitológicos. Na compilação pseudo-histórica do século 12. Em Lebor Gabála Érenn ela é citada no Tuatha Dé Danann como uma das filhas de Ernmas, neta de Nuada.

As primeiras três filhas de Ernmas são dadas como Ériu, Banba e Fódla. Seus nomes são sinônimos para a Irlanda, e elas foram casados ​​com Mac Cuill, Mac Cécht e Mac Gréine, os últimos três reis Tuatha Dé Danann da Irlanda.

Em seguida, as outras três filhas de Ernmas:  Badb, Macha e Morrígan, são descritas como as três mais poderosas, detentoras de fontes inesgotáveis de astúcia, sabedoria e força. Segundo a mitologia, Morrigan teve ainda três filhos, sendo eles: Glon, Gaim e Coscar.

De acordo com a História da Irlanda de Geoffrey Keating, Ériu, Banba e Fódla possuíam uma fina sintonia com as irmãs Badb, Macha e Morrígan respectivamente. Sugerindo que as duas tríades das deusas poderiam ser vistas como equivalentes.

Morrigan também aparece em Cath Maige Tuireadh (A Batalha de Mag Tuired). Em Samhain, ela mantém uma disputa com o Dagda antes da batalha contra os Fomorianos. Ela é vista se lavando, com um pé de cada lado do rio Unius. Em algumas fontes, acredita-se que tenha sido Morrigan quem criou o mesmo rio.

Em outra história, ela retira o touro de uma mulher chamada Odras, que a segue ao outro mundo através da caverna de Cruachan. Quando ela adormece, Morrigan a transforma em uma poça d’agua.

Conhecendo Morrigan

Natureza e funções

Como já foi falado anteriormente, Morrigan é muitas vezes considerada como uma deusa tripla, mas sua suposta natureza tripla é ambígua e inconsistente.

Às vezes, ela aparece como uma das três irmãs, as filhas de Ernmas: Morrigan, Badb e Macha. Às vezes, a trindade consiste nos Badb, Macha e Nemain, coletivamente conhecidos como As Morrighans, ou Morrígna. Ocasionalmente, Fea e Anu também aparecem em suas várias combinações.

No entanto, Morrígan também aparece frequentemente sozinha, e seu nome às vezes é usado de maneira intercambiável com ‘Badb’, sem ter um terceiro “aspecto” mencionado.

Deusa da Guerra

Morrigan é geralmente interpretada como uma Deusa da guerra. Na obra literária “A Deusa da guerra antiga”, de W. M. Hennessey, escrita em 1870, o autor influenciou o estabelecimento dessa interpretação. Seu papel envolve muitas vezes premonições da morte violenta de um guerreiro particular, sugerindo um vínculo com o Banshee do folclore posterior. Esta conexão é ainda notada por Patricia Lysaght, que citou: “Em certas áreas da Irlanda, este ser sobrenatural é complementar ao nome banshee, também chamado Badhb”.

Também foi sugerido que o nome Morrigan estava intimamente ligado a grupos irlandeses de männerbund, descritos como um bando de jovens caçadores de guerreiros.  Eles viviam nas fronteiras da sociedade civilizada e se dedicando a atividades sem lei por um tempo antes de herdar bens e tomar seus lugares membros de comunidades estabelecidas e desembarcadas.

No entanto, Máire Herbert argumentou, que a guerra se não é um aspecto primário do papel da deusa, e que sua associação com o gado sugere que seu papel estava ligado à Terra, à fertilidade e à soberania. Ela sugere que sua associação com a guerra é resultado de uma confusão entre ela e Badb, que ela argumenta que era originalmente uma figura separada. Ela poderia ser interpretada como protetora dos guerreiros e do rei, atuando como uma deusa da soberania, não necessariamente como uma deusa da guerra.

Lenda do Rei Arthur e a confusão ente Morgan e Morrigan

Houveram muitas tentativas de alguns autores modernos de ficção, de vincular o personagem do romance Arthuriano ‘Morgan le Fay’ com a deusa Morrigan.

Morgan aparece pela primeira vez em Geoffrey, em ‘Monmouth’s Vita Merlini’, (The Life of Merlin) no século 12. No entanto, enquanto os criadores do personagem literário de Morgan podem ter sido um tanto inspirados pela muito mais antiga mitologia da deusa. A relação acaba por lá. Estudiosos como Rosalind Clark afirmam que os nomes não estão relacionados. O galês “Morgan” é proveniente do País de Gales, fonte da lenda do Rei Arthur. Enquanto Morgan é derivada de palavras associadas ao mar, Morrigan tem sua origem e significados completamente diversos.

Origens de Morrigan

Conhecendo Morrigan – Washer at the Ford

As origens de Morrigan parecem nos levar diretamente de volta ao culto megalítico das Mães (Matrones, Idises, Disir, etc). Que geralmente apareciam como deusas triplas. É interessante notar que, depois das deusas celtas da soberania, tríades como, a Eriu, Banba e Fotla, aparecem também como um trio de divindades femininas que usam magia na guerra.

“Influência na esfera da guerra, mas por meio da magia e do encantamento em vez da força física, é comum a esses seres” (Ross 205).

Eriu, uma deusa conectada à terra de uma forma que lembra as Mães. Poderia aparecer como uma mulher bonita ou como um corvo, assim como Morrigan. Disir também apareceu de forma muito semelhante. Além de serem deusas da batalha, elas são significativamente associadas ao destino e nascimento em muitos casos, juntamente com a aparição antes da morte ou como escolta do falecido.

Certamente há provas de que a deusa do corvo não se limitou aos celtas irlandeses. Uma inscrição encontrada na França, ‘Battle Raven’, mostra que um conceito semelhante estava em ação entre os celtas gauleses.

As Valkyrias em cosmologia nórdica, também utilizavam magia para lançar grilhões em guerreiros e escolher quem morreria.

A Lavadeira do Ford, é outra aparência de Morrigan. Ela costuma ser encontrada lavando a roupa de homens prestes a morrer em batalha. Com efeito, ela estaria escolhendo quem viria a padecer durante a luta.

Um poema inglês antigo, “Êxodo”, refere-se a corvos como escolhidos dos mortos. Em todas essas fontes, os corvos, a escolha dos mortos, dos grilhões e dos seres femininos estão intimamente interligados.

Morrigan e Cu Chulainn

Conhecendo Morrigan – Morrigan e Cu Chulainn

Ela apareceu ao herói Cu Chulainn (filho do deus Lugh) e ofereceu seu amor para ele. Quando ele não conseguiu reconhecê-la e rejeitou-a, ela disse que ela o impediria quando ele estivesse em batalha. Chulainn acabou morto, ela então se acomodou no seu ombro sob a forma de um corvo.

A desgraça de Cu Chulainn era que ele nunca reconheceu o poder feminino da soberania que ela ofereceu.

Ela apareceu para ele em pelo menos quatro ocasiões e em nenhuma delas ele foi capaz de reconhece-la.

“A função da deusa Morrigan aqui, pode-se notar, não é atacar o herói (Cu Chulainn) com armas, mas torná-lo desamparado em um ponto crucial na batalha, como as Valkyrias que lançam ‘grilhões’ sobre os guerreiros … assim, tanto na literatura irlandesa como na escandinava, temos uma concepção de seres femininos associados à batalha, são tanto ferozes quanto eróticos “. (Davidson 97, 100).

 

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